Pais incríveis, juízes falíveis
É fácil adotar as mesmas regras para todos os filhos, mas justiça não é isso. Crianças diferentes exigem estratégias distintas
Se
você nunca pensou em cursar Direito ou alguma carreira de prestígio
nessa área por falta de aptidão mas teve mais de um filho,
ingressou automaticamente como juiz amador na vara doméstica da
família.
Administrar interesses e apaziguar ânimos dos filhos é das tarefas mais ingratas dos pais (parênteses para enfatizar que ainda não inventaram ninguém melhor para assumir esse papel do que os responsáveis). Julgamos o que é certo e errado o tempo todo sem perceber.
Qualquer decisão nossa está sempre sujeita a contestação e, pior, à comparação com o que foi feito em relação ao irmão, há pouco, no dia anterior, na semana que passou, como se fosse imperdoável mudar de ideia ou levar em conta novas circunstâncias, como o clima. Os recursos chegam no susto. Lançamos mão da primeira explicação.
"Você não foi à piscina porque nevou e hoje faz sol."
"Pai, aqui não ne-va!"
Mas nem sempre explicações vêm fácil assim. Como juízes, somos um bom alvo. Toda vez que ousamos ser flexíveis, haverá um pirralho disposto a nos levar ao limite da nossa flexibilidade. Haja jogo de cintura, presença de espírito e tempo. Porque, não sei se vocês já leram algo a respeito, mas conflitos costumam surgir quando a mãe enfia a chave na porta de casa para ir trabalhar.
É muito comum confundirmos justiça com a adoção das mesmas regras para todos os filhos. Fazemos isso sem sentir, como se a casa e a vida da gente fossem instituições sujeitas a leis imutáveis ou, no máximo, revistas a cada 50 anos. Mas não são. A busca por igualdade quando se lida com fraternidade na família muitas vezes nos leva por caminhos equivocados porque é mais simples uniformizar e adotar as mesmas regras para todos. Se um não vai à festa, então não vai ninguém. Ninguém assiste TV e todos dormem no mesmo horário. Educar não é fácil, mas, sinto dizer, erramos quando fazemos isso indistintamente e eu me incluo nessa. Pego carona aqui no célebre discurso de Rui Barbosa, intitulado Oração aos moços: “a regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam”.
Um filho nunca é igual ao outro, nem gêmeos. Como o mais frequente é estarmos lidando com crianças em idades e fases diferentes, discernir que regras específicas vale para cada uma delas é o desafio.
Não estou sugerindo que você seja mais carinhosa com um do que com o outro, ou proteja mais um deles, a não ser que algum precise realmente de mais proteção. Acontece por vários motivos. Estou partindo do pressuposto que sua eventual preferência
Administrar interesses e apaziguar ânimos dos filhos é das tarefas mais ingratas dos pais (parênteses para enfatizar que ainda não inventaram ninguém melhor para assumir esse papel do que os responsáveis). Julgamos o que é certo e errado o tempo todo sem perceber.
Qualquer decisão nossa está sempre sujeita a contestação e, pior, à comparação com o que foi feito em relação ao irmão, há pouco, no dia anterior, na semana que passou, como se fosse imperdoável mudar de ideia ou levar em conta novas circunstâncias, como o clima. Os recursos chegam no susto. Lançamos mão da primeira explicação.
"Você não foi à piscina porque nevou e hoje faz sol."
"Pai, aqui não ne-va!"
Mas nem sempre explicações vêm fácil assim. Como juízes, somos um bom alvo. Toda vez que ousamos ser flexíveis, haverá um pirralho disposto a nos levar ao limite da nossa flexibilidade. Haja jogo de cintura, presença de espírito e tempo. Porque, não sei se vocês já leram algo a respeito, mas conflitos costumam surgir quando a mãe enfia a chave na porta de casa para ir trabalhar.
É muito comum confundirmos justiça com a adoção das mesmas regras para todos os filhos. Fazemos isso sem sentir, como se a casa e a vida da gente fossem instituições sujeitas a leis imutáveis ou, no máximo, revistas a cada 50 anos. Mas não são. A busca por igualdade quando se lida com fraternidade na família muitas vezes nos leva por caminhos equivocados porque é mais simples uniformizar e adotar as mesmas regras para todos. Se um não vai à festa, então não vai ninguém. Ninguém assiste TV e todos dormem no mesmo horário. Educar não é fácil, mas, sinto dizer, erramos quando fazemos isso indistintamente e eu me incluo nessa. Pego carona aqui no célebre discurso de Rui Barbosa, intitulado Oração aos moços: “a regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam”.
Um filho nunca é igual ao outro, nem gêmeos. Como o mais frequente é estarmos lidando com crianças em idades e fases diferentes, discernir que regras específicas vale para cada uma delas é o desafio.
Não estou sugerindo que você seja mais carinhosa com um do que com o outro, ou proteja mais um deles, a não ser que algum precise realmente de mais proteção. Acontece por vários motivos. Estou partindo do pressuposto que sua eventual preferência
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